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[QPLiterário] A Princesa das Águas, de Paula Pimenta

Capa do livro A princesa das Águas, da Paula Pimenta, uma releitura do conto de fadas da Pequena Sereia Ariel

A Princesa das Águas, da escritora Paula Pimenta, será o livro que vai abrir a coluna Quebrando Preconceito Literário. Há muito tempo que venho pensando em me lançar esse desafio de ler, ou ao menos tentar ler, histórias, autores, gêneros que tenho algum tipo de preconceito. Nessa coluna, vou falar um pouco do que esperava encontrar nesses livros e o que realmente encontrei. Espero que gostem! 🙂

Os próximos livros do Quebrando Preconceito Literário serão escolhidos por vocês! Para votar em qual livro devo ler é só ir na página do Um Metro e Meio de Livros no Facebook e votar na enquete. E o melhor é que os livros que eu lerei para essa coluna, e não gostar, serão sorteados <3

A PRINCESA DAS ÁGUAS: ANÁLISE

Linguagem

Sabendo que a autora, Paula Pimenta, escreve histórias voltadas para o público juvenil, eu esperava encontrar a linguagem fácil e coloquial de um narrador em primeira pessoa. E isso eu soube prever muito bem, a história é narrada pela Arielle, uma adolescente que é nadadora profissional e é a mais jovem a participar das Olimpíadas. Arielle narra sua história de forma leve, que ajuda o leitor a se envolver e a adquirir um ritmo de leitura bem rápido.

No entanto, confesso que estranhei a linguagem ao longo da narrativa por apresentar longos períodos e muitas palavras repetidas, o que, para mim, provoca um incômodo na leitura por parecer que o texto não foi pensado, apenas escrito. Essas características são bem comuns em histórias juvenis, já que as crianças normalmente possuem um vocabulário menos extenso que um adulto. Mas acredito que um bom livro infanto-juvenil também tem uma linguagem pensada e planejada.

História

Sendo uma releitura do conto de fadas A Pequena Sereia, A Princesa das Águas trouxe elementos essenciais da história original e os realocou em um contexto mais moderno. Ao invés de sereias, peixes, caranguejos, polvos e outros tantos bichos do mar, temos nadadores e atletas olímpicos. A principal tem duas irmãs tagarelas que aparecem para orientá-la e trazer uma descontração, além disso Arielle – assim como Ariel – também fica dividida entre dois mundos: o mundo das águas e o mundo da música.

Apesar de ter gostado muito da forma como a Paula Pimenta encaixou todos os elementos de A Pequena Sereia em seu livro, o enredo não me conquistou por ser bastante previsível e recheados de clichês, muitos não me incomodaram, só que tantos outros me deram nos nervos. Posso correr o risco de ser chamada de extremista, mas como já mencionei no post Não gosto de Romance, alguns clichês reafirmam características da sociedade machista e patriarcal em que ainda vivemos que, hoje em dia, acho muito difícil de engolir.

Como acontece em muitos livros infanto-juvenis voltados para meninas, a história só começa quando há uma reviravolta amorosa, quando a principal conhece o garoto por quem se apaixonada (e muitas vezes à primeira vista) e a partir daí ficar com esse garoto passa a ser a sua razão de viver. A personagem respira lembranças que tem com ele e pensa cada passo com o objetivo de reencontra-lo. De forma bem reduzida, é essa a história de Arielle.

Então continuo sonhando com o dia em que vou encontrar um livro infanto-juvenil voltado para meninas que tenha como personagem principal uma garota, cuja história não seja embasada apenas no sentimento que nutre por um garoto. Claro que por se tratar de uma releitura de um conto de fadas, que já traz essa base amorosa em sua história, não há como criticar a autora por isso.

Personagens

Assim como a história, os personagens de A Princesa das Águas são bem lineares, ficando bem nítido quem se encaixa no papel de mocinho e quem se encaixa no papel de vilão. A personagem Arielle tem a inocência da Ariel que a fez cair na lábia da Úrsula para conquistar o que tanto sonhava. Mas ao contrário de Arielle, a pequena sereia ainda demonstra uma garra que ficou faltando na nadadora, uma personagem que para mim ficou ingênua demais.

A PRINCESA DAS ÁGUAS: CONCLUSÃO

Pode parecer que esse não foi um dos melhores livros que li, realmente não foi, mas também não posso dizer que não me diverti ao ler a história da Princesa das Águas.  Só gostaria que o tivesse feito há uns anos, quando eu ainda era tão ingênua quanto a Arielle e não via o que enredo como esse desencadeia na nossa sociedade. Eu sei que é cansativo ficar levantando essa bandeira, mas para conseguir uma sociedade mais justa a gente tem que ser chata, sim; a gente tem que provocar a reflexão, sim; ainda mais em histórias voltadas para jovens meninas. Fechar os olhos e deixar a opressão e a desigualdade de gênero escondidos debaixo de grossos panos é o caminho mais fácil – e muitas vezes (e eu diria quase sempre) o caminho mais fácil não é o melhor caminho.

A PRINCESA DAS ÁGUAS: SORTEIO DO LIVRO

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Confira as regras!

a) Quem pode participar
• Os participantes devem residir em território nacional;
• Todos os participantes devem preencher o formulário acima;
• Não serão aceitas as participações com contas fakes;

c) Envio e entrega dos prêmios:
• O sorteado será contatado através do e-mail informado no formulário e terá 48 horas para responder com os dados solicitados. Caso contrário, um novo sorteio será realizado;
• O envio do livro é responsabilidade do blog/canal Um Metro e Meio de Livros;
• O blog/canal Um Metro e Meio de Livros não me responsabiliza por extravios dos Correios;
• O envio do prêmio será realizado dentro do prazo de 20 dias após a confirmação do endereço de entrega pelo vencedor do sorteio;

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