Rocco

[Resenha] Gata Branca, de Holly Black

Capa do livro Gata Branca, primeiro livro da série Mestres da Maldição, da autora Holly Black.

Gata Branca é o primeiro livro de uma trilogia da Holly Black, autora que ficou conhecida com a série Spiderwick. Esse livro já tava pegando poeira na minha estante desde 2012, então quando lancei o Desafio Literário UMML resolvi assoprar a poeira e tirá-lo definitivamente da minha lista de não lidos.

Sem falar que sempre tive uma curiosidade de ler alguma coisa da Holly Black, ao mesmo tempo que sempre tive uma certa preguiça. Meu medo era que o livro se transformasse em um grande clichê de fantasia para jovens adultos e acabasse perdendo o seu potencial. Mas até que me surpreendi de forma bem positiva, não só com a história como com os personagens e espero continuar me surpreendendo com os outros livros da série.

A história da trilogia dos Mestres da Maldição se passa em um mundo em que algumas pessoas possuem habilidades especiais, porém nem sempre agradáveis, como controlar as emoções dos outros ou retirar algumas de suas memórias. Tudo isso apenas tocando a outra pessoa com as mãos (bem ao estilo Vampira, dos X-men). Mas nesse mundo, ser um Mestre não é sinônimo de pertencer a uma classe dominante, pelo contrário, os Mestres precisam viver na clandestinidade, já que usar suas habilidades é contra lei. Por isso que muitos dos Mestres acabam trabalhando para o mercado negro ou como capatazes de grandes criminosos.

“A memória é fugidia. Ela se ajusta à nossa compreensão do mundo, se deforma para acomodar nossos preconceitos. Não é confiável.” – p. 116

A família de Cassel é um exemplo, mesmo ele não sabendo dizer exatamente qual a função de cada um dos seus irmãos e de sua mãe na criminalidade. No entanto, ele é o único da família que não desenvolveu uma habilidade de Mestre, também é o único da família que matou sua melhor amiga, Lila. Apesar de não se lembrar muito do episódio, esse trauma rege a sua vida, fazendo com que tente se destacar de outras formas – transformando-se em um menino cheio de astúcia, que sabe como driblar pessoas e burocracias.

E é com essa astúcia que ele passa a contar,  quando tem uma crise de sonambulismo e acorda em cima de um telhado de um dos edifícios de sua escola e, macabramente, sendo observado por uma gata branca com uma sensação de que ela estava tentando assassiná-lo. Com medo de que Cassel possa estar sobre a influência de um Mestre, ele é afastado da escola; só que, quando ele começa a bolar um golpe para enganar a diretoria e voltar a ser aceito na instituição, percebe que seus irmãos podem estar tentando enganá-lo.

Gata Branca é todo narrado em primeira pessoa pelo protagonista e por isso o clima de mistério na história se mantém, já que o a gente só descobre as coisas junto com o personagem e não temos o quadro completo do que está acontecendo. Muitas vezes nem temos o quadro todo do próprio protagonista. Cassel é um personagem que me agradou bastante por não ser um mocinho que salva tudo e a todos e está sempre tentando fazer o certo. Ele é um menino calculista que sempre tenta salvar a sua própria pele, mesmo que isso signifique não fazer o certo e ainda envolver pessoas inocentes na história. Outro ponto que curti foi a obrigatoriedade das luvas para todos – já que não existe uma forma de diferenciar um Mestre de um não-Mestre -, fazendo com que seja até obsceno observar as mãos nuas de alguém.

Você também pode gostar

1 comentário

  • Responder
    Gabriele Verges
    31 de Janeiro, 2018 de 12:58 am

    Oi, tudo bem?
    Adorei o blog, parabéns pelo trabalho. ♥
    Já estou seguindo as redes sociais.
    Beijo. :*
    http://www.freakandcreepy.com

  • Deixe um comentário