Companhia das Letras

[RESENHA] Os Meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár

Capa do livro Os meninos da rua Paulo

Boka é o adolescente inteligente, leal, honesto e correto. Não é a toa que foi escolhido como o líder dos Meninos da Rua Paulo. Csónakos (fala-se Chônacoc) tem o assobio mais alto do mundo, sabe subir em árvores como ninguém e adora dar aquela requintada nas aventuras que vive com os rivais do grupo, os Camisas Vermelhas. Géreb, por sua vez, é um menino ambicioso que busca se destacar dentro do grupo (e nem sempre da maneira mais honesta). Já Nemecsek (nêmechesk) é menino franzino, lourinho, ingênuo e medroso, que está sempre buscando provar o seu valor.

Eles, juntos com tatos outros integrantes dos Meninos da Rua Paulo, foram os responsáveis por mais de 40 mil exemplares vendidos e 800 reimpressões somente aqui no Brasil. Esse primeiro romance de Ferenc Molnár tornou-se um clássico da literatura húngara e conquistou os corações de muitos jovens e adultos. A história começa quando integrantes dos Camisas Vermelhas roubam as bolinhas de gude de Nemecsek, então Boka, que até aquele momento se manteve neutro, declara que chegou a hora de lutar a favor da honra dos Meninos da Rua Paulo. Essa cena do furto foi eternizada em uma escultura na Rua Práter (no bairro Józsefváros) em Budapeste, onde a história acontece.

Os Meninos da Rua Paulo é uma história que adota um fundo atemporal e universal ao falar sobre a amizade, sobre os sonhos de infância, que nos remete à nostalgia representada em histórias como It- A Coisa, Stranger Things, Os Batutinhas e os Goonies e nos apresenta o doloroso processo de amadurecimento. E apesar da história tratar o conflito entre os Meninos da Rua Paulo e os Camisas Vermelhas com referências e estratégias de guerras, até então presenciadas pela Hungria, vemos uma Budapeste de paz, ingênua e dando incio a uma urbanização mais moderna, ainda com pedaços de terra abertos a grandes aventuras, como o Grund (uma espécie de pátio abandonado onde Boka, Csónakos, Géreb, Nemecsek se reúnem com seus amigos).

Os Meninos da Rua Paulo é aquele tipo de livro que a gente gosta tanto que fica torcendo para que realmente tenha sido real, não é a toa que até os dias de hoje há o mistério da existência desse grupo e evidências que confundem o leitor. O livro é quase todo escrito em 3ª pessoa, no entanto existem três trechos que foram escritos em 1ª pessoa e  deixam a dúvida: o autor fez parte dos meninos da Rua Paulo ou apenas se esqueceu que narrava a história em 3ª pessoa?

Os Meninos da Rua Paulo: veja a resenha em vídeo

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