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[Resenha] A Garota no trem, de Paula Hawkins

Resenha do livro A Garota no Trem, de Paula Hawkins

A Garota no Trem é o primeiro romance de Paula Hawkins, o qual teve mais de 20 milhões de exemplares vendidos, sendo 250 mil apenas no Brasil. O livro já foi adaptado para os cinemas e não só foi sucesso de bilheteria como venceu o Prêmio People’s Choice na categoria Melhor filme de suspense. Nesse livro, somos apresentados à Rachel, uma mulher que viu seu casamento ruir por causa do seu problema com bebidas. Além de ter que processar o dolorido divórcio, Rachel também tem que lidar com o tormento de saber que seu ex-marido agora vive com a amante na mesma casa que costumava chamar de sua.

Após o fim de seu casamento, teve que pedir ajuda a uma colega de faculdade para conseguir um teto onde viver e, por causa do alcoolismo, acabou perdendo o emprego. Completamente entregue às suas dores e frustrações, e para disfarçar para sua inquilina que agora é desempregada, Rachel mantém sua rotina de pegar o trem para Londres das 8:04 e voltar no trem das 17:56. Durante o percurso, o trem passa pelo bairro onde costumava viver e Rachel fica se torturando imaginando a nova vida de seu ex-marido com a nova mulher e sua filha pequena. Sempre na companhia de uma gim-tônica ou qualquer outra bebida alcoólica, o que resulta em muitos telefonemas xingando, ameaçando Anna, a nova mulher de seu ex-marido.

“Viver assim, como vivo hoje, é mais difícil no verão, quando o dia é mais longo e o abrigo da escuridão da noite é curto, quando há tanta gente na rua, a felicidade estampada no rosto. Isso é tão cansativo, e deixa a gente se sentindo mal por não fazer parte daquilo” (p. 13)

Para suprir sua necessidade de fugir dos seus problemas, da sua realidade, a protagonista observa diariamente, da janela do trem,  um casal, os quais um dia já foram seus vizinhos, e reflete neles a família e a vida que um dia imaginou que teria. Criando até mesmo nomes para os dois, a mulher é Jess e o homem é Jason. Apesar de ser um hábito um tanto quanto bizarro, tenho que confessar que foi nesse momento que criei uma empatia muito grande com a protagonista, já que eu também tenho o mesmo hábito. Seja no ônibus, no metrô ou no meio da rua, eu fico observando as pessoas e imaginando como seriam suas vidas. Mas como uma diferença: eu não crio nomes para elas e muito menos me meto em suas vidas após ver um de seus rostos estampados no jornal como desaparecida.

Mas Rachel anseia por aquele mundo fantasioso que criou para Jess e Janson. Por isso, fica extremamente abalada quando vê Jess com outro cara e sente a necessidade de ir tirar satisfações, não só com Jess mas com Tom, seu ex. Bêbada e solitária, Rachel acaba indo parar em seu antigo bairro para não só atormentar Tom e Anna como para espionar a vida de Jess e Jason. Mas, como de costume, o álcool rouba muitas das suas memórias e esse dia não vira uma exceção, já que acorda no dia seguinte toda machucada sem lembrar exatamente o que aconteceu.

“Foi o que eu percebi com as sessões de terapia: os buracos na sua vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvore ao redor do concreto; você se molda a partir das lacunas.” (p. 114)

E nesse mesmo dia, Rachel vê  o rosto de Jess, que na verdade é Megan, estampado nos noticiários como desaparecida. A protagonista se vê, então, na obrigação de se envolver no mistério e ir até a delegacia contar o que viu pela janela do trem, Megan com outro, Megan traindo seu maravilhoso marido. Mas avisar à polícia não parece ser o suficiente. Sendo assim, faz uma lista de quais seriam os possíveis suspeitos desse desaparecimento, destacando o suspeito que acha o mais provável de ser culpado. Junto com ela também fiz essa mesma lista. Mas a minha lista incluía a própria Rachel e a cada capítulo que eu terminava, começava a acreditar que o culpado era alguém diferente do que eu estava imaginando.

A Garota no Trem é um thriller psicológico que mexe com a sua cabeça, já que seu enredo e mistério estão todos embasados na memória, que pode nos trair e ser manipulada. Nesse livro, Paula Hawkins também abre ao debate assuntos como relacionamentos abusivos, depressão e as consequência do uso abusivo de substâncias químicas, como o álcool. Muito provavelmente é um dos livros que vai entrar para a minha lista de melhores do ano e estou muito ansiosa para ler o segundo livro da autora, Em águas sombrias.

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