Fábrica 231

[RESENHA] BOO: minha vida após a morte, de Neil Smith

Resenha do livro Boo: minha vida após a morte

Boo é o apelido nada carinhoso dado para Oliver Dalrymple por seus colegas da escola Helen Keller Junior High. Mas o apelido não é a única forma de bulying que o garoto parece enfrentar, pelo menos é isso que o próprio Boo deixa claro desde o início, o que nos obriga a endurecer o coração para encarar sua história. O livro é narrado em primeira pessoa por Oliver que resolve contar para os seus pais como é o verdadeiro céu e sua vida póstuma – que tem levado após sua morte em frente ao armário escolar 106, enquanto recitava os elementos da tabela periódica.

O céu de Boo é uma cidade ultrapassada, sem aparelhos tecnológicos ou muitos recursos, onde só vivem crianças que faleceram aos 13 anos. Apesar de amadurecerem, elas mantém sua aparência física de quando morreram. E ao que tudo indica, existe um céu para cada país e para cada faixa etária. O interessante do relato do Boo é ver um céu narrado por uma criança que se considera até então ateia.

“Para mim, duas pessoas se tocando é igual à colisão de duas galáxias.” (p. 52)

Um pouco depois da chegada de Boo à Cidade, como as crianças se referem àquele céu em que vivem, chega também outro estudante da Helen Keller Junior High. Então percebemos que as coisas não são exatamente como parecem ser. Apesar de ter sido pega desprevenida com a reviravolta que a presença de Johnny provoca na história, após esse baque inicial consegui deduzir todo o mistério por trás da morte do Boo logo nos primeiros capítulos, o que desacelerou um pouco o ritmo da minha leitura.

Livro Boo: minha vida após a morte

Então vocês imaginam qual foi a minha surpresa quando todas as respostas que eu já tinha deduzido foram apresentadas na metade do livro. O que mais Neil Smith poderia nos falar sobre a Cidade, os citadinos (moradores desse céu), Boo e Johnny? Bom, muito mais. Mas esse “muito mais” poderia ser apenas “algo mais”, já que o autor pareceu se perder um pouco para conseguir chegar ao final que tanto queria.

E apesar de ter sido um final arrebatador  – e, como já mencionei por aqui, o final muitas vezes para mim vale mais do que boa parte do livro -, no caso de Boo: minha vida após a morte, o final não conseguiu valer toda a história. Senti dificuldade para ter aquele envolvimento emocional profundo com os personagens, apesar de ter gostado da personalidade marcante de cada um. Boo é um menino muito recluso que parece ter alguma espécie de autismo, não gosta que as pessoas o toquem, nem tem muitas habilidades sociais, além de ser fissurado por ciência e ter uma inteligencia acima da média. Apesar de não ter criado esse laço emocional com o personagem, seus comentários ácidos e sarcásticos me arrancaram boas risadas.

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2 Comments

  • Reply
    gabiberries
    October 27, 2017 at 2:29 pm

    Hmmm que pena que não satisfez tanto! A capa chamou muita atenção, parece 3D mesmo, e pelo o quê você conta a história tinha potencial… mas e ai, como o Boo morreu rs? To curiosa, e depois dessa review não acho que vou ler esse livro haha

    • Reply
      babimontec
      October 28, 2017 at 2:05 pm

      Se você não se incomodar com spoiler eu te conto como ele morre! hahaha Mas é tipo o grande mistério do livro

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