Companhia das Letras

[RESENHA] The 42nd St. Band, de Renato Russo

Resenha do livro The 42nd st band

Renato Russo está entre meus músicos nacionais favoritos, mas eu não sou o tipo de fã que fica procurando ler, conhecer, saber tudo da vida do artista (só se eu for MUITO, mas MUITOO fã mesmo – tipo, com os Beatles). Talvez eu seja assim por medo de acabar conhecendo demais a personalidade e me decepcionando um pouco. Quando a personalidade do cantor/compositor/ator não me agrada, é difícil eu apreciar o trabalho dele, apesar de sempre reconhecer quando acho um trabalho bem feito.

Mas quando vi que iriam lançar um livro inacabado do Renato Russo, eu não consegui me controlar. Por dois motivos. Adoro as letras das suas músicas – não sei se vocês já repararam, mas para uma música em português soar boa e de boa qualidade aqui no Brasil, a letra da música tem que ser muito bem trabalhada, muito bem pensada. Nossas músicas que ganharam reconhecimento são praticamente poemas com melodia – coisa que Renato Russo faz muito bem, obrigada – é só lembrar das letras do Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza. E, claro, do Renato Russo. O outro motivo é que o pouco que eu conheço da personalidade do Renato eu já gosto bastante.

Por volta dos seus 15-16 anos, Renato Manfredini Jr. foi diagnosticado com epifisiólise, uma doença rara que ataca os ossos, foi durante este período que começou a escrever a história da banda The 42nd St. Band. A formação final da banda contava com 3 integrantes que eram primos: Eric Russel, Nick Beauvy e Jesse Philips. A personalidade de Eric Russel é a mais marcante e a mais trabalhada ao longo da história. Personalidade esta que demonstra muito da personalidade complexa do próprio Renato. Não é à toa que mais tarde o músico adotou o sobrenome de seu personagem e se tornou “Russo”.

“Eram quase todas músicas de country-folk, tipo baladas com letras longas e base acústica, ou coisa do gênero” (p. 60)

Conhecemos os primos desde cedo e acompanhamos – por meio de linha do tempo, entrevistas para revistas, gravações de conversas, diários, depoimentos – toda a trajetória deles como músicos e suas experiências. Indo desde o primeiro disco comprado, o primeiro instrumento musical até as primeiras experiências com drogas, turnês, brigas. Um dos pontos que se destacam no livro é a presença de músicos que eram ídolos para o jovem Renato Russo, como Mick Taylor e Jeff Back que na história fizeram parte da primeira formação da The 42nd St. Band.

Lendo o livro do Renato Russo eu me senti como se fosse uma grande fã da banda. Como se estivesse lendo um livro sobre os Beatles, por exemplo. A edição da Companhia das Letras também ajudou muito trabalhando a diagramação de um jeito que tornasse a história quase verídica. Apesar de ter gostado muito do livro, demorei mais do que meu habitual para lê-lo, já que senti a necessidade de ler cada linha com atenção dobrada para entender e gravar a história – principalmente nos primeiros textos apresentados. Mas uma vez que comecei a pegar quem era quem na história o ritmo fluiu bem.

E para finalizar a resenha deste livro maravilhoso, deixo vocês com uma das minhas músicas favoritas do Legião Urbana <3

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