Bertrand Brasil

[RESENHA] O Herói Improvável da sala 13B, de Teresa Toten

Resenha do livro O Herói Improvável da Sala 13B
Quando a temática de um livro vem acompanhada de um assunto com uma carga emocional pesada, é normal esperar encontrar uma história que vai trazer aquele calorzinho ao coração. Mas nem sempre um livro pode ser julgado pela capa, como não pode ser julgado por sua proposta. É preciso ler até as últimas páginas para chegar a uma conclusão contundente.
A capa simples de O Herói Improvável da sala 13B chama atenção, a sinopse conquista. O passo seguinte foi encontrar uma narrativa leve e fácil, com personagens com problemas reais. Adam Spencer Ross é um adolescente mirrado, baixo para a sua idade, que toda segunda de manhã frequenta um grupo de análise para adolescentes com Transtorno Obsessivo Compulsivo. O famoso TOC.

Adam todo dia tem que enfrentar sua ansiedade e seu temor de que se não contar – seja batucando ou apenas na sua cabeça – sequências de números ímpares, algo muito ruim acontecerá com ele ou com alguém que ama. Seu problema maior parece ser com portas e passagens, com as quais se sente no dever de realizar sequências de gestos só para poder atravessa-las.

Logo no início do livro fica evidente todo o trabalho de pesquisa realizado pela autora – não só dos sintomas do transtorno como as consequências geradas pelo convívio com o TOC. Ainda assim, foi difícil conseguir encontrar aquela ligação emocional com os personagens, aquele quentinho no fundo alma. E tenho reparado que esta ligação profunda com histórias e personagens tem se tornado cada vez mais difícil de alcançar.

Tenho certeza que O Herói Improvável da sala 13B teria conquistado muito mais a Barbara de uns cinco anos atrás, como tenho certeza que irá conquistar e aquecer os corações de muitos leitores. Hoje em dia percebo que me atento muito mais à estrutura da narrativa do que à emoção que ela tenta passar. E isto não necessariamente é um ponto positivo.

Por adquirir esta visão mais distanciada, que automaticamente me faz analisar e editar a estrutura do texto (e da história), um único ponto negativo ficou me berrando durante toda a leitura. A fórmula desta história é idêntica à mencionada no post Não gosto de romance. Adam só vira um protagonista quando conhece a mais nova paciente do grupo da sala 13B, Robyn, que desencadeia um amor à primeira vista com todos os clichês possíveis inclusos.

Nem preciso dizer qual foi a minha reação, não é mesmo?

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