Leya

[RESENHA PREMIADA] O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Resenha do livro O Aprendiz de Assassino

Quando alguém vira para você e define a autora, no caso a Robin Hobb, como “George R. R. Martin de saia” é claro que suas expectativas com o livro O Aprendiz de Assino vão parar nas alturas. E, claro, que você também vai evitar pegar o livro para ler o máximo que puder por medo de ter criado expectativas demais.

Porém, apesar das minhas expectativas terem feito uma visitinha a Zeus (ô piadinha escrota, hein?!), o livro não me decepcionou em ABSOLUTAMENTE NADA. Não foi exatamente o que eu tinha imaginado que seria (e passou longe de ser uma história parecida com a do George), mas definitivamente é uma história única e merece todo o mérito que tem ganhado e muito, muito mais!

No mundo criado por Hobb, todo nobre batiza seus filhos com um nome que ressalte uma característica, segundo a tradição essa característica predefinirá a personalidade da pessoa. Esse aspecto da história me lembrou muito do livro Todos meus amigos são super-heróis, no qual os super-heróis têm nomes que definem o seu poder. Mas com a história de O Aprendiz de Assassino fiquei me perguntando até que ponto o nome que faz a pessoa ou se a pessoa que acaba se adaptando ao nome. A questão é que cada personagem se encaixa perfeitamente com seus nomes. Como é o caso do rei Sagaz, que consegue antever problemas e elaborar estratégias antes mesmo que aconteçam.

“É da natureza do mundo que todas as coisas procurem um ritmo e, nesse ritmo, uma espécie de paz? Para mim, com certeza, isso sempre pareceu ser assim. Todos os acontecimentos, não importa quão chocantes ou bizarros, são diluídos pouco tempo depois da sua ocorrência pela continuidade das rotinas necessárias à vida cotidiana.” (p. 53)

O rei Sagaz é responsável por gorvernar os Seis Ducados e se vê com um pequeno problema que poderá pôr em risco a sua sucessão ao reino. Esse pequeno problema é um menino, de uns quatro ou cinco anos, que foi deixado no portão do palácio por seu avô, que por sua vez alega que a criança é filha ilegítima do príncipe sucessor, Cavalaria . Logo ele, que de todos os príncipes sempre foi o mais cavaleiro (hã?! hã?!) e o mais respeitado entre os Seis Ducados.

Estando Cavalaria fora da Torre do Cervo  –  onde vive a família real – devido a algumas negociações, a criança é entregue ao seu braço direito e responsável pelo estábulo, o Bronco. Com esse nome você já imagina um homem gigante que impõe moral por onde passa. Sim, esse é o Bronco antes de receber a responsabilidade de criar o bastardo de seu mestre e de apelidá-lo carinhosamente de Fitz (que significa bastardo, em latim).

Mas acontece que quando Cavalaria retorna com Paciência, sua mulher, ele abdica do trono e deixa Torre do Cervo sem nem ao menos olhar na cara do menininho Fitz. Assim, o sucessor do trono passa a ser o filho do meio, Veracidade, e Bronco acaba perdendo a moral entre os serviçais do reino e passa a ser o mero cara responsável pelo estábulo. A partir daí, vamos acompanhando o crescimento de Fitz, seus trabalhos no estábulo, suas travessuras com os meninos da cidade e sua amizade com o cãozinho Narigudo. Uma amizade tão profunda e íntima, que menino e cachorro praticamente se transformam em um só: sentem as mesmas dores, trocam pensamentos e compartilham os sentidos um do outro.

“Narigudo estava sempre ao meu lado, tão vinculado a mim agora que a minha mente raramente se separava por completo dele. Eu usava os seus olhos, nariz e boca como se fossem meus e nunca passou pela minha cabeça que isso fosse sequer estranho.” (p. 46)

Um dia, Bronco repara nessa ligação especial entre os dois e surta, dizendo que ninguém pode descobrir que Fitz possui a Manha (dom de compartilhar pensamentos e energia com animais) que é um dom condenado e visto com maus olhos. O contrário do Talento (dom de compartilhar pensamentos e energia com outros humanos treinados para). E assim, presenciamos uma das cenas mais triste da história. É ainda mais triste, pois quem narra tudo é o próprio Fitz mais velho.

Vale ressaltar que a narrativa de Robin não é uma narrativa cheia de ação como muitas fantasias possuem. É uma narrativa lenta contada a partir das memórias de Fitz que pode não agradar alguns leitores desavisados, mas nem por isso deixa de ser muito interessante e muito bem trabalhada. A ação é guardada para o clímax da história, que me deixou muito, muito, muito²³²³² tensa.

Pensando no que fazer com um bastardo perambulando por suas terras e que tem todo o direito de ter raiva da quebra de conduta de seu pai e querer vingança , o rei Sagaz resolve dar todos os benefícios que um herdeiro legítimo tem direito a Fitz. Porém, exige em troca sua fidelidade e seus futuros serviços como assassino do rei. Sem ter muita escolha, Fitz se muda para um quarto só seu na Torre do Cervo e começa seu treinamento como aprendiz de assassino. Afinal, como ele poderia fazer uma escolha diferente quando tudo o que conhece no mundo é o estábulo e a única pessoa que pode contar é Bronco, não é mesmo?

O livro é cheio de intrigas, jogo de política e de ego, dignos, sim, de George R. R. Martin, mas muito longe de ser parecido com a história ou com o estilo de narrativa do mestre Martin. Não sendo um fator negativo, já que entre tantas histórias de fantasia, muitas acabam tendo numerosas semelhanças entre si. E no caso de O Aprendiz de Assassino, Robin Hobb conseguiu criar um mundo próprio, personagens únicos e com um estilo de narrativa singular.

“- Bom. Sei que não fez por mal, garoto, mas um homem não fala do tempo que passa entre os lençóis com uma dama. E nós, assassinos, não falamos sobre o nosso… trabalho.” (p. 236)

 

 

Sorteio de um exemplar de O Aprendiz de Assassino

Como acabei recebendo dois exemplares da Editora LeYa, nada mais justo do que deixar um dos meus leitores lindos ganhar um exemplar, certo?! Para facilitar a vida de todos (eu sei que é bem chato quando tem várias regras obrigatórias), coloquei apenas uma entrada obrigatória: DEIXAR O E-MAIL DE CONTATO! Mas também ia ser muito legal se vocês seguissem a editora no Facebook.
Claro que quem quiser brincar com a sorte, e tiver paciência de fazer várias entradas, vai poder ir acumulando mais pontos. Fica a critério de cada um. Então, simbora garele!
Confira as regras:
  • Residir em território nacional;
  • Preencher corretamente o formulário Rafflecopter;
  • O envio do prêmio é responsabilidade do blog Um Metro e Meio de Livros;
  • O blog Um Metro e Meio de Livros não tem qualquer responsabilidade por extravio ou perda por parte dos correios;
  • O sorteio terá início em 25 de abril de 2015 e será encerrado no dia 25 de maio de 2015;
  • O resultado será divulgado em até 05 dias;
  • O vencedor deverá responder o e-mail de contato em até 48 horas ou o sorteio será refeito;
  • Dúvidas? Envie um e-mail para babimontec@gmail.com.

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No Comments

  • Reply
    Tamires Marins
    April 25, 2015 at 11:32 pm

    Oi, Babi

    Primeiramente: quando li o nome da autora do livro eu li Robin Hood! Veio o arco e flecha na minha cabeça e tudo! hahahhahahaha

    Eu acho tão incrível quando um autor consegue construir um mundo só dele, sabe? Tem que ter muita imaginação…fica aqui pensando no processo criativo, deve ser surreal!

    Participando do sorteio!!

    Beijão
    – Tamires
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

  • Reply
    Jessica Garcia
    April 26, 2015 at 10:36 pm

    Olá,

    Babi, lembro de quando você fez o vídeo do book hal e me apresentou esse livro. Logo eu fiquei super curiosa para conhecer um pouco mais dessa história.
    Quando li que a personalidade da pessoa era definida pelo nome, pensei o mesmo que você. Ainda me pergunto isto. E espero poder entender melhor quando ler O aprendiz de assassino.
    É obvio que depois de saber que Hobb foi comparada com George R.R. Martin eu também fiquei com as expectativas nas alturas (e a piadinhas de Zeus nem foi tão escrota… tá, só um pouquinho aheuaheua).
    Adorei a resenha! Beijos,
    http://www.entreleitores.com

  • Reply
    babimontec
    April 27, 2015 at 4:47 pm

    Boa sorte, Tamires!
    Pois é, confundi mesmo! E a primeira capa ainda era um cervo, todo mundo confundia achando que era uma hsitória sobre o Robin Hood, aí a LeYa resolveu mudar a capa e ficou mais uma capa com as ilustrações lindas do Mark Simonetti 🙂

  • Reply
    babimontec
    April 27, 2015 at 4:48 pm

    Foi bem escrota sim hahahaha

  • Reply
    Tamires Marins
    April 29, 2015 at 1:02 am

    Ahhhhhhh, então noi foi só eu! hahahaha
    E wow! O Marc! Ele faz as capas de GOT também! Show de bola!

    Obrigada por me desejar sorte! :))))

    Beijo, Babi!

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  • Reply
    Tamires Marins
    April 29, 2015 at 1:02 am

    não foi só eu* hahaha

  • Reply
    Estante Diagonal
    May 14, 2015 at 6:40 pm

    Obaaa! Nunca li nada desta autora, mas o fato de seus enredos se assemelharem o minimo possivel das obras o Tio George me interessa! Fiquei bem interessada =D

    Vou participar claro! estantediagonal@gmail.com

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

  • Reply
    babimontec
    May 15, 2015 at 2:13 am

    É muito bom, Joi!!! Boa sorte :*

  • Reply
    blogsemserifa.com
    May 17, 2015 at 11:19 pm

    Ahhh, quero muito esse livro! Fiquei intrigada com o que vc disse sobre a narrativa, parece ótimo. Só não quero que nada de ruim aconteça com o cachorro, rs.
    Enfim, quem sabe seu sorteio não vai me dar um presente de aniversário adiantado hein?
    Bjão! Isa

  • Reply
    babimontec
    May 18, 2015 at 10:01 pm

    NÃOVOUCONTARNÃOVOU CONTAR hahahaha

    Boa sorte, Isa! 🙂

  • Reply
    BiÁhH
    June 1, 2015 at 11:10 pm

    Oiii acabei de ver o resultado mas não recebi o email. Posso enviar os meus dados para o email que está nas regras do sorteio ou pelo facebook mesmo?

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