Casa da Palavra

RESENHA: O Segredo da Bastarda, de Cristina Norton

Antes de ler O Segredo da Bastarda, respirei fundo e me preparei psicológicamente para o que eu esperava ser uma leitura densa. Mas me surpreendi ao ler as primeiras linhas e me deparar com uma linguagem fácil, apesar de possui períodos longos demais. Muitas vezes me perdia por causa desse detalhe, pois a narrativa ia emendando vários assuntos sem dividí-los por um ponto final. Também demorei para entender a divisão dos capítulos.

O livro é formado por capítulos que se revezam, possuindo, assim, três narradores diferentes. Um desses narradoress é Eugênia Maria que começa a contar a história de sua mãe, Eugênia de Meneses, afim de distrair sua filha, Isabel Maria – que está a beira da morte por causa de uma das doenças que mais tomavam vidas na época, a turbeculose.

Eugênia de Meneses era filha do marquês de Marialva, um nobre da corte portuguesa. Aos 10 anos, Eugênia tornou-se amiga da famosa e polêmica princesa Carlota Joaquina, mulher de D. João VI. Mais tarde também tornou-se dama de companhia de Carlota Joaquina e desde cedo mostrou que não desejava casar-se. Então, acredito que não seja nenhum spoiler dizer que Eugênia Maria é uma filha bastarda, uma vez que não só o título, mas toda a capa grita essa informação. A grande questão é: quem é o pai?


Outro narrador – que talvez possa dizer que é o principal da história – é onisciente, onipresente e não é um narrador-personagem. Ele narra não só os detalhes que Eugênia Maria deixa de fora em suas conversas com sua filha, como também o lado da família real. São personagens desse livro personalidades históricas de Portugal e do Brasil, como D. João, Carlota e a rainha D. Maria, a louca. O Segredo da Bastarda também narra muitos fatos históricos nacionais, como a fuga dos escravos para os quilombos, e internacionais, como a invasão napoleônica.

“Onde estavam as promessa seladas com um beijo e os amores contrariados que ultrapassavam todos os obstáculos? Impressos nos romances, em livros fechados à chave nas estantes das bibliotecas.” (p. 337)

O último narrador, ou melhor, narradora, eu demorei MUITO para entender quem exatamente era, uma vez que se colocava como personagem da história. Acontece que a narradora dos capítulos entitulados “A Madrinha” é Nossa Senhora. E pasmem que Nossa Senhora, no livro, reclama de ter que atender aos pedidos de sua afilhada, Eugênia de Meneses, por ter pedidos mais importantes para atender durante as guerras provocadas por Napoleão Bonaparte.

Eu não sou religiosa, mas se eu realmente acreditasse que tem alguém me protegendo dos males desse mundo, eu definitivamente deixaria de acreditar em qualquer religião depois de pedir com tanta força e desespero por ajuda, como Eugênia faz. Antes fosse por questões pequenas, mas o que Eugênia sofreu, mesmo depois de ter rezado suplicando ajuda durante um ano inteiro, eu não desejo para ninguém!

“Ah, mas vai! Licensa poética, é um livro de ficção!”
Não, não é. Eugênia de Meneses realmente existiu e realmente passou pelo o que passou, sofreu o que sofreu como se fosse a culpada de tudo e ainda foi obrigada a viver durante anos enclausurada em um convento por ter dado à luz uma criança não reconhecida pelo pai. Claro que o livro tem alguma licensa poética, mas achei um pouco exagerado acrescentar uma visão divina. Mas…. tenho que confessar que gostei dos comentários ácidos que ela faz.

“Ora, ora. Para que querem saber todas as pessoas o que lhes reserva a Divina Proviência? Será que não percebem que o dia a dia perderia o interesse, que a vida deixaria de ter encanto, que assim não mereceria, em suma, ser vivida?” (p. 339)

Eu sei que eu fui meio critica, mas não me levem a mal, eu gostei do livro! Demorei a me envolver na narrativa e até achei que algumas partes do início  poderiam ter sido cortadas, mas entendo que foi um trabalho de pesquisa da autora e que ajuda a entendermos quem foi Eugênia de Meneses. Eu tive um relacionamento extremamente conflituoso com ele e acho que tá dando para reparar, já que mostra a sociedade extremamente machista daquela época, sem falar dos preconceitos gerados por questão de status social. Porém, eu gostei, sim, do livro. Acredito que quem acompanha o blog já há um tempo já sabe que eu adoro história (didático), ficção com fatos históricos ou história real de alguma personalidade que ficou marcada na História (ficou confuso, né?).

Recomendo a leitura para quem gosta de romances históricos (romance no sentido de tamanho de narrativa, não de gênero) e para quem ficou curioso para conhecer o segredo da bastarda. Também recomendo para os fãs de Danielle Steel – eu só li um livro dela, que foi Segredos do Passado, e lembrei dele vagamente enquanto lia o romance de Cristina Norton.

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No Comments

  • Reply
    Jullyane Prado
    March 22, 2014 at 4:53 pm

    Oie flor! Estou super curiosa porque assim como você eu amo ficção misturado com história, acho muito bacana! Só estou com um pé atrás porque se tem uma coisa que me faz ter vontade de jogar o livro na parede é quando me deparo com os machões e aqueles personagens chatos e egoísta preocupados com status social!! Mas quero muito ler! Achei bacana a premissa do livro!

    Beijos!

    Meu Diário

    P.S: Meu kit de Métrica chegou!!! Simplesmente amei!!!! ♥ O recado foi muito fofo!!

  • Reply
    babimontec
    March 25, 2014 at 12:31 pm

    Aaah fiquei muito feliz que gostou do kit!! 🙂

    E lê, sim. Vale a pena a apesar de te deixar com raiva hahaha

    Beijos!

  • Reply
    Cah Martins
    March 27, 2014 at 7:54 pm

    Oiii Babi!!
    Huuumm, não sei se gostaria desse livro… Fiquei meio confusa só com a sua resenha kkkk
    Não tinha ouvido falar dele ainda… Mas como mistura religiosidade, história e tal, eu passo, não é meu tipo de livro.
    Beijos

    http://subexplicado.blogspot.com.br/

  • Reply
    Michael Rios
    March 27, 2014 at 8:41 pm

    U.u não sei se é bem o meu estilo, mas ganhou pontos comigo por conta do Segredo. Sério, sou super curioso, iria terminar o livro inteiro mesmo se não gostasse só para saber o que seria isso kkkkkkk.

    Abraços,
    ||TERRA DE FAGULHAS

  • Reply
    babimontec
    March 28, 2014 at 2:46 am

    Oiii Cah! Ai, eu sei! A resenha ficou meio ruim :/
    É que eu realmente entrei em conflito com a história do livro! É bom, mas depois de um certo fato lá para o meio do livro eu comecei essa relação de amor e ódio hahaha

    Mas vale a pena! Só se você não gostar de romance histórico, com fatos reais, aí é outra coisa ;p

    Beijos!

  • Reply
    babimontec
    March 28, 2014 at 2:47 am

    Michael, também fiquei MUITO CURIOSA!!!
    Não é lá grande segredo, levando em conta que é uma história real, mas como quando eu comecei a ler eu não conhecia a história eu preferi me deixar na curiosidade e aí a ansiedade de descobrir o tal do segredo só cresceu haaha

    beijos!

  • Reply
    Cah Martins
    March 29, 2014 at 12:11 am

    Babi, sua resenha está ótima!!!! Fiquei confusa com a história do livro mesmo, os narradores diferentes, sendo um deles a Nossa Senhora e tudo mais… Mas é diferente, tenho que admitir rss…

    Beijooo

  • Reply
    blogsemserifa.com
    November 25, 2014 at 8:38 am

    Nossa, fiquei pasma com essa escolha de narradores, hahaha. A autora ganha pontos por criatividade, pelo menos!

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