Companhia das Letras

RESENHA: Contato, de Carl Sagan

Ellie sempre foi uma menina muito inteligente e à frente de seu tempo. Quando errava uma pergunta do professor, ia para a biblioteca e estudava até que o assunto se esgotasse. Foi com essa curiosidade que Ellie desenvolveu o gosto pela transmissão elétrica e pelas ondas sonoras.  Essas características somadas a admiração e a curiosidade pelo universo que a transformaram em dra. Arroway, líder de um projeto no maior centro radioastronômico do mundo, o Argus.

O foco da pesquisa era descobrir alguma tentativa de contato vinda de extraterrestres, e durante muito tempo o projeto chegou a correr o risco de ser cancelado, por não ter avanços consideráveis. A vida dos astrônomos, que eram obrigados a viver perto do Argus, resumia-se em um eterno tédio.  Até que, em um belo dia, um sinal disparou indicando uma transmissão vinda da estrela Vega. Era uma mensagem formada por números primos.

Arroway, então, contata todos os centros radioastronômicos do mundo para que nenhuma informação seja perdida e para que todos possam tentar desvendar o significado da Mensagem. Mas o que exatamente é essa mensagem? Por que é formada por números primos? Quem está transmitindo?

Bom, as respostas para essas perguntas eu deixo para quem tiver curiosidade de ler o livro. Eu adorei a narrativa do autor, flui e você não sente as tantas páginas passarem (os capítulos são enormes). Também não é uma linguagem rebuscada, mas há o porém de a história possuir muitos termos científicos, tanto da física e química, quanto de qualquer outra coisa do mundo de exatas. E para quem não está familiarizado com os termos, como eu,  algumas partes podem ser arrastadas.

Carl Sagan aborda todos os pontos de vistas sobre a questão de termos uma tentativa de contato vinda de outro planeta. Mas os mais ressaltados são as reações das diversas religiões – algumas dizendo que a Mensagem era coisa do diabo e a outras, de Deus –  e a questão política de como manter todos os países que captaram a mensagem envolvidos no projeto. E isso ainda com os vestígios da Guerra Fria pairando entre EUA e URSS.

Apesar de não ser o ponto forte da história, o autor também aborda algumas questões sobre os relacionamentos humanos, sejam eles de amizade, amoroso ou familiar. Aproveitando para dar um toque freudiano na trama. A parte que eu mais gostei em Contato foi a discussão entre a Ellie e o religioso Palmer Joss. Apesar de ter outros diálogos muito bons, esse me marcou bastante e ainda deu aquele empurrão extra para devorar o livro.

A história é dividida em três partes e a terceira começa sem pé nem cabeça. Porém, ao longo dos capítulos finais o autor vai explicando esses acontecimentos com um bom embasamento científico, que se encaixou bem na história e a finalizou com chave de ouro! Eu recomendo a leitura para quem gosta de ficção cientifica, extraterrestres, um pouco de política e polêmica religiosa. E se você não entende nada de termos físicos e matemáticos, como eu, não se preocupe que dá para entender mesmo assim!

Agradecimentos especiais ao namorado que deu o livro.
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